BlogBlogs.Com.Br
Mostrando postagens com marcador Romance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Romance. Mostrar todas as postagens

12 junho 2008

Detalhes

Dois anos de namoro e já posso dizer que eu a amo. Amo loucamente, desesperadamente, com cada pedaço que existe dentro de mim. Começou com um leve interesse. Foi aumentando, virou atração, paixão, e agora eu posso gritar bem alto que ela á a mulher da minha vida!

Estávamos nos preparando para morarmos juntos. Ela já era bem resolvida, uma psicóloga em início de carreira, mas com uma vida financeira já estável. Eu estava terminando o último semestre do curso de Educação Física. Mas não foi na faculdade que nos conhecemos, e sim em um happy hour marcado por amigos em comum.

Feitas as devidas apresentações, surgiu em mim um grande interesse. E foi mútuo. Em menos de meia hora já estávamos aos beijos. E no outro dia eu liguei... isso mesmo, pela primeira vez eu ligava para a menina que eu tinha ficado na noite anterior. Ela realmente havia me marcado...

O tempo foi passando e cada dia eu me encantava mais. Ela era linda, tinha um olhar ingênuo e um sorriso que saía muito fácil. O corpo dela era perfeito, mas nem precisava de tanto. Só a personalidade dela já era suficiente para deixar qualquer homem no chão... forte, decidida, autêntica!
E eu era um babaca, daqueles que vivem enfiados em uma academia, cultivando meus belos músculos enquanto meu cérebro ia lentamente se atrofiando dentro do ambiente da faculdade. Foi ela que me despertou. Suas discussões sempre me faziam parar e pensar. Foi com ela que a faculdade começou a realmente valer a pena.

Não que não tivesse valido antes, mas agora era de um jeito diferente. Antes eu vivia nos bares, cercado por um monte de amigos bêbados (e eu me incluía nessa última categoria), comemorando por tudo. Ela me fez mudar. Comecei a aproveitar mais as aulas, porém continuava saindo com os caras, só que agora eu estava mais moderado. E eu finalmente tinha alguém para encontrar todos os dias, alguém que eu sabia que sempre estaria lá para me apoiar e me oferecer uma palavra em qualquer momento.

Ela se formou e ainda faltava um ano para que eu concluísse o curso. Nada como um leve afastamento para fazer com que meu amor aumentasse. Seis meses depois, durante uma aula, meu celular começou a tocar. Era um número estranho e eu não atendi. Esqueci de retornar e fui embora, tranqüilo, para casa. Minha namorada estava fazendo a mudança para um novo consultório, devia ser por isso que ela não havia me ligado...

Quando cheguei, meu irmão veio na minha direção desesperado. Ele me viu e começou a falar coisas sem sentido, completamente alterado. Tentei acalmá-lo, mas não consegui. Ele continuava dizendo palavras soltas como hospital, mamãe, sua namorada...

Fiz um copo de água com açúcar para ele e, aos poucos, a calma foi chegando. Ele ainda estava muito sério quando começou a me contar. E enquanto ele falava, meu mundo desabava gradativamente. Minha namorada tinha sofrido um gravíssimo acidente de carro quando estava chegando ao novo consultório. Tinham tentado me ligar mais cedo para avisar, mas não conseguiram. Então minha mãe foi até o hospital para ficar com ela.

Só consegui voltar para o meu corpo quando senti as primeiras lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Acidente grave? Hospital? Meu Deus, onde eu estive todo esse tempo que nem fui socorrê-la? Um idiota! Um completo idiota que não serve nem para atender um telefone quando ele toca...

Corri para o hospital e encontrei com minha mãe. Minha garota acabara de sair da sala de cirurgia. Tinha tudo corrido bem, mas apesar de tudo ela permanecia em coma profundo.
Quando me deixaram entrar na sala onde ela estava, quase não a reconheci em meio a tantos hematomas e desfigurações. Mas aquela cara não abandonaria nunca aquele ar de menina, ao mesmo tempo em que era doce e meigo era também extremamente forte e decidida. Ela ia sair dessa, eu tinha certeza...

Mas faz quase dois anos que ela permanece lá, sem alterações. Todos os dias eu vou vê-la. Fico lá, às vezes conversando, mas, na maioria das vezes, parado, só olhando. Todos os meus sonhos ali, deitados e inertes. Mas eu não desisto, eu simplesmente não quero fechar meus olhos, não vou cair no sono enquanto eu olho para ela, mas eu sinto muita falta! E ficar olhando para ela faz com que eu nunca esqueça nenhum detalhe daquela mulher...

23 março 2008

Relações interdisciplinares

Este sou eu, Márcio, um pobre rapaz que ama perdidamente uma garota que nem repara em mim. Sou daqueles garotos estudiosos, que todos teimam em denominar CDF. Realmente sou um, mas não tenho como evitar, está no meu sangue.


Quando estou com ela, tudo fica diferente. Ela falou comigo por duas vezes (e eu lembro-me muito bem delas). Na primeira, ela me pediu gentilmente a resposta do exercício 78 de matemática. Já na segunda, ela me ajudou a reunir o material que eu havia derrubado da minha carteira.


A beleza dessa garota deixa meu sistema nervoso bastante afetado, reagindo ao mínimo contato e deixando-me apreensivo. Eu sei muito bem que nunca possuí tal sentimento por ninguém em toda a minha vida. Quando ouço sua voz, a memória me leva às mais belas cantigas de amor, cantadas pelos trovadores.


É pura física! Os opostos se atraem, ou pelo menos tentam, desde que haja uma força de atração suficientemente forte para romper a inércia dos corpos.


É também pura química! Tudo não passa de compostos e ligações, de ácidos e bases, todos agindo ao mesmo tempo e causando um turbilhão de emoções que me deixam ansioso, nervoso, alucinado, alienado. É uma questão simples que pode ser resolvida com uma também simples regra de três, onde o meu empenho será diretamente proporcional à minha vitória (assim eu espero).


Espere um pouco que aí vem ela... passou direto, mas sei que ela conseguiu me detectar, sentado nesse canto, com a sua visão periférica. Ela passa e me deixa fora do meu juízo normal. Não raciocino direito, não elaboro problemas, nem consigo lembrar se a esquistossomose é causada por um platelminto ou se é causada por um nematelminto.


Como diria Gandhi: “Acreditar em lago e não o viver é desonesto”. Resolvi tomar uma atitude drástica. Vou falar com ela. Já está decidido. Vou falar tudo o que penso e que sinto em relação a ela.


É impossível fazer isso! Meus sistemas não estão preparados para funcionar sobre tamanha pressão. Os meus sistemas digestivo e respiratório ficam totalmente fora de controle e é melhor nem comentar sobre os meus sistemas nervoso e reprodutor.


Mas vou até lá e vou falar. Não posso ser assim tão incompetente a ponto de não conseguir fazer isso. Eu juro que irei tentar, por todo esse amor reprimido no interior da minha pobre massa encefálica e que luta incessantemente para libertar-se das correntes que o mantém como meu escravo.


E agora me encontro em um caminho totalmente bifurcado. De um lado está o meu caminho seguro, o qual eu conheço muito bem, pois se trata da minha história passada. O outro lado é o lado obscuro, representando o caminho do medo do desconhecido e do recuo diante de uma adversidade. Não sei se possuo ousadia suficiente para enfrentar este último.


Tento resolver o problema utilizando derivadas, logaritmos, limites e até mesmo por lógica. Nenhuma das alternativas me deu uma resposta concreta sobre como se deve proceder diante de tal situação.


Levanto-me! Caminho de cabeça baixa! Caio! Levanto e observo o que aconteceu. Esbarrei sem querer em minha amada e a fiz cair. Nunca pensei que a machucaria, mas esse dia chegou antes que eu pudesse prever.


Creio não ter acontecido nada e prontifico-me a ajudá-la. Nós dois saímos conversando e o assunto acabou fluindo como eu já ensaiara muitas vezes dentro da minha própria mente, já pensando em todas as possibilidades de recusa e arquitetando argumentos coerentes para rebatê-los.


Quando eu menos esperava, já estava falando sobre os meus sentimentos, expondo tudo aquilo que eu decidira guardar para sempre nas gavetas mais profundas da minha memória.
Percebi que a força de atração entre os corpos era grande, mas existia uma outra força, que era oposta ao movimento, impedindo que ela viesse parar em meus braços abertos. Ela foi muito gentil comigo e mal pude acreditar quando ela disse que pensaria no caso.


É melhor ter uma chance do que perder todas de uma só vez. Não agüentei e fui até ela para saber qual seria a resposta para o meu intrincado problema. Pela graça de Descartes que a resultante de tudo, representada no plano cartesiano, foi uma reta completamente positiva.


Ao primeiro toque, a adrenalina passava acelerada pelo meu corpo. Os olhos se fecharam e faltam-me palavras para descrever o que aconteceu depois. Faltam equações e fórmulas, perguntas e respostas. Nem Sigmund Freud é capaz de explicar o que se passou comigo naquele momento. Isso é algo que nem a ciência, com toda a sua magnitude, é capaz de explicar. Passou uma semana e eu nunca mais me encontrei com o meu ex-amor. Ela mudou-se para outro colégio. O meu referencial desapareceu e eu fiquei temporariamente desnorteado. Mas a vida continua, apesar dos infortúnios, e é melhor sempre guardar boas recordações, pois a qualquer momento um referencial pode ser tirado do seu mundo, mas você deve permanecer sempre estável, devido as suas experiências e boas recordações daqueles que se foram.