03 agosto 2009
PROCURA-SE
Eu nunca o encontrei, então não posso dar maiores detalhes físicos. Porém ele é facilmente reconhecível por seu humor idiota e sarcástico. Tem uma obsessão por oferecer milho como comida e cisma em deixar aquela galinha gorda cheia de celulite viva. Ele deve ter alguma tara por ela, só pode ser... Se não for tara, só pode ser pena de matar aquele ser tão horrendo. Eu teria pena de matar um exemplar tão único. É tipo um ornitorrinco. Feio, porém raro.
Voltando ao sumiço do granjeiro, dizem por aí que ele está com uma extrema falta de criatividade e por isso não está passando aqui. Quem o encontrar, favor perguntar se esse é realmente o problema. Se for, diga a ele para ir se fuder, deixar de frescura e escrever alguma coisa. E diga exatamente com essas palavras, por favor. Ele merece.
E não tem recompensa para quem achá-lo, principalmente porque eu não ganho nada para estar aqui. Eu sou o único que trabalha direito nesse lugar e a única coisa que eu ganho é a hospedagem e a comida. Mais nada. Eu sou despertador, garanhão reprodutor e aspirante a galo de sucesso. E nem por isso eu recebo um mísero salário. Portanto, quem o encontrar, favor cobrar alguma coisa dele...
Pronto, anuncio feito. Quando ele aparecer, prometo que eu o obrigo a passar por aqui mais vezes. E não vai ser de uma maneira muito boa que eu vou fazer isso...
01 julho 2009
Reflexões de um frango com enxaqueca
Aliás, tem coisa pior que dor de cabeça? Eu já me entupi de remédios para ver se resolve, mas até agora nada. Três dias e NADA. Tô me sentindo até drogado depois de tanta coisa que eu tomei. Sabe aquela história de não se automedicar? Pois é, Não façam isso... além de não resolver nada, fiquei completamente passado.
Eu dormi por quase 15 horas seguidas. Ninguém tem ideia de como isso destrói o corpo. Parece que minhas asas foram colocadas dentro de um liquidificador. Tô sentindo dor até nas penas, para vocês terem uma ideia.
Por falar em pena, elas resolveram começar a cair. Não sei se é por causa do meu repouso forçado ou por causa do inverno. E isso só me deixa mais nervoso. E quanto mais nervoso, mais minha cabeça dói. É involuntário. Eu olho para o espelho e vejo minhas penas ficando cada vez mais ralas.
Isso machuca o ego. Tudo bem que eu sou o frango garanhão reprodutor dessa granja, mas não dá pra negar que minha atuação está deixando a desejar. Imagina sair do poleiro no estado em que eu estou? Penas falhadas, cabeça explodindo e um mau humor dos infernos. Assim eu não vou conseguir uma galinha jamais.
Sei lá, nessa situação que eu estou não consigo nem pensar em galinhas. Pensar me dá dor de cabeça. Se eu começar a pensar, minha imaginação começa a funcionar... e imaginar coisas também dói. E dói muito...
Agora que a gripe suína saiu de moda, eu acho que contraí um tipo novo de doença. Incomum, incurável, injustificada e insuportável. E tomara que ela seja contagiosa. Muito contagiosa. Afinal, sofrer sozinho não tem graça nenhuma.
Pensando bem, vou voltar para o poleiro e descansar. Tomara que eu não vá fazer
companhia pro Michael Jackson no meio do caminho...
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O granjeiro mandou avisar que ele não tava postando por falta de tempo. Sabe como é fim de semestre na faculdade, né? Nem comida pra gente ele tava dando direito, imagina escrever alguma coisa. Ele pede desculpas e diz que isso não vai acontecer mais. Aliás, sexta é aniversário dele, texto especial chegando!
16 junho 2009
Reflexões eróticas de um frango
Para que ficar sofrendo no dia dos namorados? Afinal é só uma data idiota. Se existe apenas um dia para os casais chatinhos, os outros 364 são para nós, solteiros. Podemos aproveitar muito mais que os comprometidos. É acordar cada dia em um poleiro diferente, com uma galinha (ou mais) que é completamente desconhecida.
Tá bom... quem me ouve falando isso até pensa que eu sou o frango comedor da granja. Tudo bem que sou o frango garanhão reprodutor, o escolhido, aquele responsável pela perpetuação dos genes (que dizem ser bons, mas sei lá...), mas isso não quer dizer que eu tenho que experimentar todas as galinhas da granja.
Por falar nisso, é melhor eu tomar mais cuidado com as palavras que eu uso. As galinhas são muito sensíveis. Se me ouvirem falar em “experimentar” ou “comer” eu provavelmente vou perder um possível sexo à noite. Tem que saber tratar bem para conseguir algo depois. É uma regra básica. Não precisa ser um idiota que faz tudo para ela, mas saiba enrolá-la até conseguir o que quer. Ou seja, sexo selvagem...
Aliás, alguma galinha ainda tem dúvidas disso? É claro que não. Aposto que elas pensam a mesma coisa quando conhecem um frango interessante (tipo eu). Duvido que elas querem ficar sentadinhas na praça, de mãos dadas na porta da igreja. Não. Eles querem é correr pro poleiro e atacar. Se nós frangos pensamos assim, porque elas não têm o direito de pensar igual?
E tomara que pensem isso comigo. Prometo que nem vou reclamar. Vou simplesmente cumprir meu papel e agüentar todas que vierem. Aliás, fiquei sabendo de uma galinha nova que muita prática em sexo tântrico. Quem sabe ela não me dá algumas aulas grátis?
Aposto que minha performance ia melhorar muito. Com certeza ia impressionar aquela galinha gostos do poleiro de cima facilmente. Ia dar horas e horas de prazer intenso para ela. Bico com bico, sentindo cada gota de suor escorrendo pelas penas dela. E eu lá, firme e forte. Satisfazendo. Deixando ela louca...
Eu fico excitado só de pensar nisso. Aproveitando que minha imaginação está no auge, eu fico pensando naquela galinha gorda. Primeiro vamos esquecer todas aquelas celulites para imaginar algo...
Pronto! Deixa eu ver... com aquela cara ela deve curtir um lance bem sadomasoquista. Colocar uma roupa de couro, dar uma e dominatrix e espancar com quem ela vai transar por puro prazer. Eca. Ainda bem que eu não curto esse tipo de prática. E nem curto aquela gorda bizarra.
Depois dessa imaginação dos infernos, eu vou voltar a pensar naquela galinha gostosa do poleiro de cima. Como será a depilação dela? Será que alguém já pensou em fazer uma edição da “Playchicken” com ela? Aposto que ia vender muito. Eu, por exemplo, compraria muitas. Só para estampar meu quarto todo.
E ia me poupar muitos neurônios. Já falei que minha imaginação tá fértil hoje? Pois é, como as perspectivas para a noite são as piores possíveis, eu vou ali dar uma exercitada na asa enquanto penso naquela gostosa...
03 junho 2009
Reflexões juninas de um frango
É sério, eu odeio festa junina. O que faz alguém fazer uma festa inteira onde o milho é um dos personagens principais? Aliás, como alguém pode gostar de milho? Eu já falei setenta milhões de vezes, mas vale sempre reforçar... uma coisa dura, pequena, amarela e ruim não pode ser usada como comida. Minha esperança é que algum dia alguém acredite em mim.
Principalmente o granjeiro, que resolveu ampliar o estoque daquela bolota amarela maléfica. Eu tenho até vontade de chorar quando eu acordo de manhã e vejo que tem milho para o café. Na verdade, minha vontade é colocar o granjeiro numa panela e fazer uma torta. Só para ele aprender...
Mas o milho é até tolerável se for comparado com a quadrilha. Como garanhão reprodutor da granja, eu sempre fui o noivo no casamento. E eu tenho pânico de quadrilha. Pra começar tem o apresentador, que é sempre aquele galo velho caquético. O pior é que ele nunca vai perder esse posto. E eu não entendo nada que ele fala na hora da dança.
Aliás, por falar em dança, ela é outra coisa que me faz odiar festas juninas. A primeira coisa é que eu nunca entendo aquelas palavras em uma língua bizarra. “Anarriê” não significa nada na minha vida. E depois ainda me gritam “olha a chuva” e querem que eu finja alguma coisa. E eu sou péssimo ator. Sempre faço aquela cara de paisagem e continuo dançando.
Outra coisa lastimável que ocorre em junho é a barraca do beijo. Não seria tão lastimável se fosse aquela galinha gostosa do poleiro de cima. Mas todos têm uma chance para adivinhar quem sempre ocupou esse lugar... é claro que é aquela gorda com celulite. Nem precisa falar que a barraca é um fracasso todo ano.
É por essas e por outras que eu fico muito azedo nessa época. Por mim junho podia nem existir. Pular de maio para julho direto, se possível. E que esse ano nenhum engraçadinho tente me prender na cadeia de novo...
15 maio 2009
Por que o frango atravessou a rua?
Mais uma vez faço uma pausa nas minhas reflexões para avaliar um problema que assola o mundo há milênios. Depois de desvendar quem veio primeiro, é hora de descobrir por que raios um frango atravessou a rua.
Para início de conversa, eu só posso falar que nunca atravessei uma rua. Isso porque moro numa fazenda, dentro de um galinheiro. Por motivos mais que óbvios aqui não tem ruas. Mas eu consigo imaginar bem o motivo de um frango querer atravessar...
Pensa comigo. Você está andando e ciscando tranquilamente por um lado da rua quando avista, lá ao longe, aquela galinha gorda maléfica, cheia de celulite. Ela te vê, abre um sorriso e esboça vir na rua direção. O que te resta a fazer? Fingir que não viu e atravessar a rua, claro!
Outra situação: você está passeando tranquilamente quando vê uma galinha mega gostosa do outro lado. Como garanhão reprodutor dessa granja, eu atravessaria na hora. Simples e prático.
E tem gente que ainda vem dizer que o frango atravessou porque quis. Alguém em sã consciência atravessa uma rua simplesmente porque quer? Não. Ou do outro lado tem uma coisa muito interessante (por exemplo, comida) ou o lado que você está não te serve mais (por exemplo, uma mal comida vindo na sua direção).
Mas uma coisa eu tenho que admitir. As ruas são muito perigosas... eu sou um frango e tenho, no máximo, uns 40 cm de altura (sim, sou muito baixinho). Vocês já viram o estrago que os carros fazem com as pombas? E olha que aquelas desgraçadas sabem voar. Imagina o que fariam com um pobre franguinho que tentasse atravessar uma rua tranquilamente?
Eu soube de uma história de um tio do primo do vizinho da minha ex-peguete que morreu atropelado. Não conseguiram achar a cabeça dele até hoje. Ele estava andando na beirada de uma BR para encontrar com uma pata selvagem quando um fusca azul calcinha passou e atropelou ele.
Tem alguma forma pior de morrer? Atropelado por um fusca. Azul calcinha, ainda por cima... eu me mataria se morresse desse jeito. O pior foi o enterro do pobre sujeito. Ou melhor, a falta de enterro. Só conseguiram montar o corpo sem cabeça depois de muito trabalho para juntar as partes.
Eu é que não quero atravessar uma rua e morrer desse jeito. Então, da próxima vez que alguém perguntar “por que um frango atravessou a rua?”, responda que ele é inteligente e não faz esse tipo de burrada.
Ou que tinha uma galinha gostosa do outro lado...
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Frangos e galinhas queridos do meu galinheiro, caso tenham outros questionamentos que só um frango pode responder, deixe-os nos comentários que terei prazer de responder em outro post =P
E me desculpem por não estar postando com uma frequência aceitável. Minha vida tá mega corrida, mas prometo das mais atenção para meu galinheiro. Tô pensando em fazer sessões, mas por enquanto está só no mundo das ideias.
14 abril 2009
Reflexões beijoqueiras de um frango
Dia das crianças é uma delas... acho que já falei dela, né? É por isso que eu afirmo que ser frango não é nada fácil. Tem coisas que simplesmente não dá para aproveitar, principalmente quando a sua principal característica é ser um frango. Nenhuma galinha te dá ideia porque você é muito novo e nenhuma franguinha te quer justamente por você ser muito novo. E aí, como eu fico?
Ta, admito que estou meio emo hoje. Acordei assim e nem dá para falar que não tem um motivo. É que ontem foi o dia do beijo e eu passei em branco... pronto falei! E eu fico muito deprimido quando não consigo aproveitar uma data tão boa para fazer alguma coisa.
E olha que eu até tentei... aliás, como garanhão reprodutor da granja eu já deveria ter aprendido a pegar as galinhas com perfeição. Tô até lendo o Manual do cafa para tentar anotar algumas dicas. Pensando bem, nem se ele me desse dicas pessoalmente eu ia conseguir me sair melhor.
O pior é que eu acho que cheguei em todas as galinhas ontem. Primeiro eu tentei ir devagar, sendo gentil, amável, falando coisas doces. Não adiantou. Mudei a atitude e também não deu em nada. Apelei e comecei a usar cantadas baratas de pedreiro... foi uma tragédia. Momento flashback para mostrar como foi:
“-Nossa, que coxas apetitosas! Que horas elas abrem?”
“-Você gosta de água? (se a galinha responder sim) Então você já gosta de 70% do meu corpo...”
No primeiro caso eu levei um tapa na cara e no segundo a galinha riu na minha frente. Foi aí que desisti de tudo e me recolhi ao meu poleiro. Só não chorei e não cortei os pulsos porque meu nível emo não atingiu níveis tão altos.
Calma, eu tenho pulsos? Deixa pra lá... onde eu estava mesmo? Ah sim, eu fui dormir e só acordei hoje de manhã. Agora eu pretendo colocar um anúncios nos classificados dos jornais, pedindo currículos com fotos e uma pequena biografia das galinhas. E não, não vai ser na sessão relax...
05 abril 2009
Reflexões de um frango no domingo
Isso é porque vocês não são frangos, seus infelizes! Eu tenho que acordar antes do sol raiar para ir acordar todas as galinhas desse galinheiro. Faz parte do meu treinamento de frango garanhão reprodutor.
Só que eu fui dormir de madrugada, tudo porque resolvi assistir “Alfie, o sedutor”. Como as galinhas babam por esse filme e pelo Jude Law, eu resolvi assistir para tirar algumas dicas. E adivinhem? Dormi no meio...
Aí só me restou dormir um pouco e ir acordar o galinheiro todo. E ainda tinha que fazer isso rápido, porque a melhor, ou melhor, única parte boa do domingo já ia começar... a Fórmula 1.A prova era na Malásia. Foi uma ótima corrida até o meio... então começou a cair uma chuva violenta e ela não pode (sei lá se isso ainda tem acento, foda-se essa reforma maldita) terminar.
O pior é que ainda é de manhã e eu já estou sem perspectiva nenhuma para o resto do dia. Sabe por quê? Porque aquele galo velho e caquético me passou milhões de textos teóricos sobre como ser um galo de sucesso.
O pior é que os textos parecem de auto-ajuda... e eu simplesmente detesto esse tipo de texto. Pra mim, quem lê esse troço ou é muito carente ou muito depressivo. Ou os dois. Ou simplesmente masoquista, sei lá! Aff... que vontade de matar aquele galo hijo de uma piriguete.
E, pra completar, tô com muita fome. Se o almoço hoje for milho... ah, amanhã vai ter alguém morto aqui nesse galinheiro!
03 março 2009
Frango, o retorno
Tudo bem... eu dramatizei um pouco, mas a sensação de derrota na segunda de manhã foi parecida com assistir a um filme na Sessão da Tarde. Espera um pouco... eu falei de manhã? Esquece. Foi de madrugada...
Tudo isso porque aquele galo velho caquético resolve voltar das férias forçadas. E sabe o que isso significa? Que minhas aulas de “Como ser um galo” estão de volta. E pra ser bem simpático, ele já me acordou bem cedo para ir cantar e acordar o galinheiro inteiro...
Quando eu tiver dinheiro, eu prometo que vou comprar um despertador para cada maldita galinha desse lugar. Não tem coisa mais insuportável que ter que subir no telhado e cantar. Minha voz é péssima pra isso. Aposto que ninguém fica muito feliz de ser acordado com ela...
Mas não tenho como fugir das obrigações. As lições de “como ciscar corretamente”, “teorias e métodos de uma boa alimentação”, “o canto perfeito” vão me atormentar o ano inteiro de novo.
Se bem que, pensando um pouco mais, nada vai ser pior que as aulas de “como conquistar as galinhas”. Tudo bem que eu estou sendo treinado para ser o garanhão reprodutor da granja. Mas aquele velho usa técnicas que funcionavam em 1920. Ele não percebeu que as galinhas mudaram...
Tá, elas mudaram e eu também não consigo me aproximar... isso é que dá ser um frango. Não sabe tomar uma atitude, isso é tenso. E não é com uma aula que eu vou aprender como fazer isso. O pior é que eu tenho certeza que as galinhas de 1920 não eram iguais às atuais. As de hoje em dia são mais independentes, mais cheias de atitude e pensamentos, coisas que aquele velho maldito nem imagina...
E eu aqui, tendo que escutar a ladainha dele. O pior que vai ser isso o ano inteiro. Tenho que arrumar uma galinha logo pra ver se isso para...
04 fevereiro 2009
Reflexões pecadoras de um frango
Tá, vou ter que admitir que foram forçadas. Aquele galo velho que me dava aulas de “como ser um galo” se cansou de mim e resolveu viajar. Tem quase um mês que eu não vejo ele aqui no galinheiro. Tomara que tenha morrido...
Brincadeira. Nem pra ele eu desejo isso. Se bem que nas férias meus instintos ficam mais atacados. É a sensação de não ter nada pra fazer que me deixa assim. Devo ter cometido todos os pecados capitais em apenas uma semana...
O mais cometido nesses últimos dias foi a preguiça. Ah, que delícia é ficar no poleiro até tarde, sem fazer nada. E depois sair para tomar um sorvete, sentar em uma cadeira e ficar lá, de bobeira a tarde inteira...
E nem me fale em sorvete. A gula é outra coisa que está atacada. Estou comendo igual um leitão, se é que a mãe natureza permite esse tipo de comparação. É chocolate, bolo, sorvete, frutas, minhocas, mato... ou seja, tudo que aparecer na minha frente eu tô comendo.
Menos a gorda com celulite, porque essa não tirou férias e continua me atormentando. Se for pra cometer o pecado da luxúria, tomara que não seja com ela. Torço para ser com a galinha gostosa do poleiro de cima! Essa sim ativa todos os sinais de luxúria desse frango...
Eu invejo muito aquele frango bombado que conseguiu pegar aquela gostosa há um tempo. Invejo todos aqueles músculos bem definidos que eu nunca vou ter por causa da preguiça que domina meu ser.
Tem dias que eu tenho simplesmente vontade de matar aquele exibido. Ele fica passeando por aí exibindo os músculos que eu queria ter. É uma ira incontrolável que surge em mim. Meu projeto Verão Sarado 2009 já foi pro saco há muito tempo e eu ainda tenho que ficar vendo uns frangos se exibindo por aí...
Calma frango, calma. Sem nervosismo, afinal não tem nenhum frango nesse galinheiro melhor que você. É você o escolhido para ser o Garanhão Reprodutor desse lugar. As galinhas todas rastejam nas suas patas. É só você balançar as asas que elas vêm voando na sua direção...
Ou não, né... tenho que admitir que a soberba subiu demais a minha cabeça! Quem sabe se eu tivesse mais dinheiro as galinhas realmente iam chover em cima de mim. E um carrão... isso mesmo. Muito dinheiro e um carrão iam fazer um tremendo sucesso com as frangas daqui!
Nossa. Tenho que parar com esses tipos de pensamentos. Avareza já é demais pra minha cabeça... eu devia era deixar de preguiça, levantar desse poleiro e ir chamar a galinha gostosa pra ir comer alguma coisa comigo. Esse negócio de ficar pensando em pecados não funciona, afinal vou continuar praticando eles mesmo...
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Meme passado, meme respondido! E esse ainda veio com um gostinho de pipoca com iogurte, direto de uma bela publicitária mineira. Valeu Ju!
21 outubro 2008
Fuso-reflexões de um frango
Adoro morar em um país tropical. O clima é agradável, pode começar uma chuva a qualquer momento e as estações do ano são mal definidas. Mas o melhor mesmo é morar no Brasil. Não tem vulcão, furacão, terremotos devastadores, tsunamis, nada disso! Pensando bem, se o aquecimento global continuar afetando o planeta... ah, foda-se essa discussão. Deixa isso pro Greenpeace, eu tenho mais no que pensar...
Como, por exemplo, por que meu relógio cismou em adiantar uma hora desde a semana passada? No último domingo eu dormi uma hora a menos porque o maldito se adiantou e despertou antes da hora. Por mais que eu mudasse, todo dia era a mesma coisa. Odeio horário de verão. Já é o segundo ano consecutivo que meu relógio é enganado por ele...
Isso é que dá morar em um país tropical e pobre. Até nossos métodos de marcar hora são enganados por uma convençãozinha qualquer. Acho que é lerdeza, sei lá! Só sei que acordei uma hora mais cedo de novo e eu nem preciso falar que dia da semana é hoje... óbvio que é domingo, tudo acontece no domingo!!!
Se bobear, até a sexta-feira treze vai cair num domingo nesse semestre. Eles estão amaldiçoados... Fato! Vou mandar benzer meu calendário, fazer macumba e o escambau a quatro para ver se resolve alguma coisa. Pensando bem, será que o problema está no dia ou é comigo mesmo?
Deixa eu pensar... final de semana passado foi dia das crianças; no outro foi eleição; antes disso choveu granizo/granito, surgiu uma goteira no meu poleiro e eu tive que ir dormir com a gorda... é, tem mais de um mês que meus domingos estão zicados, isso sem contar as aulas com aquele velho caquético que nunca são interrompidas...
Meu Deus, eu preciso sair do galinheiro urgentemente, me divertir um pouco, distrair minha cabeça, pegar umas franguinhas... é, tem muito tempo que eu estou simplesmente seco. Nem exercer minha função de frango garanhão reprodutor da granja estou conseguindo! Eu quero uma franga agora...
E não me venha com aquela gorda com celulite de novo. A última vez que eu a vi foi durante a fatídica chuva e eu ainda tive que dormir com ela... eca! Mesmo se eu quisesse alguma coisa, acho que acabaria broxando.
O bom é que agora eu vou ter um ótimo pretexto para evitá-la. Vou poder falar que meu organismo ainda tem que se acostumar com o horário de verão e está funcionando com uma hora de atraso! Ótima desculpa, deve colar!
E eu adoro essas desculpas esfarrapadas... elas nunca funcionam, mas são muito legais! Será que se eu der uma usando como pano de fundo o horário de verão, a gostosa do poleiro de cima me deixa passar o resto do domingo no poleiro com ela? Quem sabe eu a convido para vir ao meu poleiro, tomar um vinho, assistir a um filme e me beijar por horas, não necessariamente nessa ordem...
Ah, que sonho... se eu não fosse tão frango faria isso agora! Mas pelo jeito vou passar meu domingo só no sonho mesmo...
08 setembro 2008
Reflexões em um pseudo-feriado
Odeio essas obrigações de frango garanhão reprodutor. O pior de tudo é ter que acordar cedo em pleno domingo. E ainda por cima acompanhar aquele galo velho caquético que tem a obrigação de me ensinar as artes e os ofícios de como ser um galo de sucesso...
Nossa, isso parece até nome de livro de auto-ajuda. Pensando bem, era melhor ele escrever um livro e me mandar ler. Ia ser melhor. Por mais que eu não goste de livros de auto-ajuda, pelo menos eu não ia ter que acordar domingo de madrugada...
E ainda mais porque hoje é dia de Fórmula 1. É sagrado! Quando a corrida é de manhã, eu até faço esforço para levantar cedo para assistir. Mas se a corrida é a tarde... ah, só me acorde na hora que ela for começar...
Isso se aquele velho maldito não vier me sacudir às 3 da manhã. Conhece aquela expressão “levantar com as galinhas”? Pra mim, ela só funciona quando eu as levo para o meu poleiro e passamos a noite juntos. Caso contrário, não funciona. Mas hoje me disseram que vai ser minha função cantar para acordá-las todos os dias de manhã... Puta que pariu! Será que elas não conhecem a maravilhosa tecnologia do despertador?
Tomara que aquele velhinho perceba que estou de muito mau humor e me libere cedo. Mas com esse falatório interminável, vou sair muito tarde. Inferno... o povo está acordando só agora e eu aqui, com essas olheiras enormes de quem não dormiu direito e um humor extremamente ácido.
Vou dar uma desculpa esfarrapada qualquer e escapulir um pouco desse caquético... tô vendo uma galinha nova no galinheiro e vou lá, afinal, alguém tem que ser o garanhão reprodutor desse lugar...
Fui descendo e comecei a observar que todo mundo estava de verde-amarelo, com bandeirinhas do Brasil penduradas por todos os lugares... estranho, só tem jogo às 10 da noite, por que esse povo está assim? Ou será que a partida é agora e eu não fiquei sabendo? Droga, e aquele moribundo tentando me prender o dia inteiro. Já vou perder a corrida, mas perder o jogo já é demais...
Encontrei uma galinha amiga minha e ela veio perguntando se eu estava indo para a parada... parada? Vai ter uma parada gay e eu nem fiquei sabendo?
“Parada de Sete de Setembro”, disse ela... parei e fiquei raciocinando por um tempão, pensando: mas Sete de Setembro não é feriado? “É, hoje é feriado”!
Inferno... odeio feriado no final de semana. E esse só o primeiro de muitos nesse semestre...
27 janeiro 2008
Reflexões de um frango
Graças a Deus que isso está acontecendo, mas eu acho que estou ficando anoréxico... aquele pneuzinho que está sobressalente tem que sumir. Meus amigos me dizem que eu estou em forma, mas a minha barriga tem que ficar de tanquinho. É para isso que eu tô malhando.
Para isso e para ver aquela franguinha gostosa fazendo abdominais, malhando as coxas, as asas, aquela bundinha... nossa! Ela me deixa completamente louco! Quando coloca aquela calça coladinha então? Minhas penas ficam todas eriçadas.
Só que eu tenho que tomar cuidado. Se eriçar demais, as penas começam a cair. É a idade chegando. Tô quase virando um galo, mas a calvície resolveu aparecer mais cedo para me atormentar. E se eu ficar igual àqueles frangos horrorosos de pescoço pelado? Nem cogito essa idéia.
Eles são muito feios. Não sei como fazem para conseguir as melhores frangas da granja. Se eu fosse o dono desse lugar, eu ia comer todos de uma só vez. Deve ser mais fácil para depenar. Eles têm menos penas...
Eles só devem conquistar todas por causa do excesso de testosterona. Aliás, frango tem testosterona? É, imagine só: um frangão bombado, com a minha tão sonhada barriga de tanque e aquele monte de galinhas ao seu redor.
E eu aqui, virgem. Vai ver porque ainda sou um frango. Mas já tive muitas oportunidades. Só que eu franguei. Irônico, não é? Eu que fui criado para ser o garanhão reprodutor da granja... na verdade, eu acho que esse é um termo para cavalos, mas deixa para lá.
Um das vezes foi quando eu estava tranqüilamente empoleirado no pé de goiaba e ela passou se insinuando. Levantou as penas da perna e mostrou aquela calcinha vermelha de renda, que servia apenas para dar uma cor ao material, de tão transparente que era.
Na primeira bobeada dela eu saí pela tangente. Aquela safada não me merecia... tudo bem, eu franguei mesmo, não agüentei toda aquela pressão. É melhor fugir que broxar. É ou não é? Fere menos o moral.
Mas acho que eu estou estranho por causa desse calor que está fazendo. Dizem que é por causa do aquecimento global. Aliás, não se fala em outra coisa no momento. Já está ficando chato: “As calotas polares estão derretendo”, “O mar vai invadir ilhas no Pacífico”. E daí? Isso é realmente um saco.
O pior são as medida que o granjeiro tomou para diminuir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera. Olha, falei até bonito! É o efeito “Informações inúteis em excesso”. O mais revoltante é que eles proibiram o banho quente. Imaginem só, proibir o banho quente só porque ele era aquecido pela queima do carvão? Assim não dá! Vou ter que ligar para o IBAMA.
É, não seria má idéia. Será que os caras do IBAMA me levam para um lugar melhor? Um lugar onde existam galinhas selvagens (adoro as selvagens) e onde haja sombra para eu ficar deitado o dia inteiro.
É o meu sonho! Passar o dia inteiro deitado. Ser o “garanhão reprodutor” tem lá os seus defeitos. Nós temos que passar por um treinamento rígido e forçado. Forçado mesmo! Uma vez tive que cantar uma galinha gorda, cheia de celulite. E ela pensa até hoje que eu gosto dela...
Celulite não dá! Eu sei que todas as galinhas têm, mas não custa nada fazer uma massagem linfática ou algo do gênero para diminuir um pouco. Ia ser melhor e elas não tivessem. Como isso é impossível, eu me contento com as que têm pouco.
Se bem que não estou muito apto a ficar escolhendo. A primeira que passar eu vou ter que... que... é melhor não falar nada. Aí vem a gorda com celulite.
Ufa! Ainda bem que ela passou direto. Não estava nem um pouco a fim de falar com ela. Tomara que ela vire uma torta... brincadeira! Espero mesmo é que se vire frango com quiabo, ou melhor, galinha com quiabo. E, com aquele tanto de banha e celulite, o quiabo ia ficar mais babento do que o normal.
E dizem que a dona da granja cozinha muito bem. Eu é que não quero experimentar. Quando algum ser vivo entra naquela cozinha, sai de lá mais morto que... mais morto que... um frango decapitado.
Isso mesmo, como um frango decapitado! Pensando bem, quando cortam a cabeça de um frango, ele permanece vivo? Pelo menos essa é a lenda. Mas nunca nenhum frango sem cabeça voltou para contar como é a vida após a decapitação.
Pensando melhor, será que existe vida após a panela de barro? Vida de frango é tudo igual. A gente sai do ovo, vira pintinho, cresce, come, engorda, faz mais pintinhos e depois é comido. É uma emoção a cada dia. Você pode ser escolhido a qualquer hora e nem tem tempo para se despedir de sua família. É quase uma roleta-russa. O primeiro pescoço que parar diante da faca sente ela sendo enfiada.
E eu já vi isso acontecendo muitas vezes. Espero que quando chegar a minha vez seja bem rápido e indolor. Mas receber uma facada deve doer muito. Deve ser melhor ser eletrocutado.
Pois é, que tragam a cadeira elétrica para cá. E a primeira a ser queimada vai ser a gorda com celulite. Olha só, ela é muito cara de pau. Ela está voltando, rebolando aquela camada adiposa que ela insiste em chamar de bunda.
Argh! Ela piscou para mim. Não vou nem dormir essa noite. Ela é um terror. Até esqueci o que estava falando. Aliás, onde eu estava mesmo? Ah, é claro... Milho. Por que sempre nos dão essa coisa para comer?





















