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06 fevereiro 2008

Tentações e divagações de um homem casado

Sofá da minha casa, não sei que dia é hoje, 2006

Sinceramente eu não sei porque fui me casar. Minha vida mudou muito, e mudou para pior, isso você pode ter certeza. Eu vivia tão bem quando ainda não tinha sido preso na gaiola. Era só farra, diversão, mulherada, mas agora eu não posso. A Aninha fica de olho, nunca vi mulher mais ciumenta do que ela. Toda vez que eu chego em casa é um problema e, para completar, ela não me satisfaz mais na cama.

Assim fica difícil de suportar. Pensei que quando eu casasse minha vida ia se tornar mais tranqüila, com uma esposa ao meu lado, mas não! Virou um inferno. E não estou brincando. A mulher só pode ter feito um pacto com o tinhoso. Não tem condições. Mas dizem que cavalo dado não se olha os dentes, e como ela foi a única que quis casar comigo...

Hoje ela só sabe reclamar, reclamar e reclamar. Não faz mais outra coisa. Aliás, faz sim, nunca vi mulher gostar tanto de mexer na cozinha como ela. E cada vez que eu olho para ela de avental me dá um tesão, mas não posso fazer nada. Acha que eu consigo tirar ela de lá? É a coisa mais improvável do mundo. Parece que ela ama mais aquele pano de prato que os meus braços quentes e confortáveis. Aquele fogão deve ser o máximo. Um dia eu vou tentar fazer alguma coisa com o fogão, quem sabe ele me dá mais atenção.

O pior de tudo é passar nas ruas e pensar: “Nossa, que gatinha!” e não poder ir atrás dela para exercer o meu papel de reprodutor nato. Já disse e volto a repetir, não sei porque casei. O casamento é a pior coisa que o ser humano podia ter inventado. Se eu pudesse voltar no tempo, eu descobriria quem foi o infeliz que inventou essa baboseira e o colocaria em uma forca sob a acusação de perigo público.

E olha que nem escritor eu sou. Nem gostar de escrever eu gosto, mas a infeliz resolveu ir para a cama (dormir, às sete e meia da noite) e eu fiquei aqui sozinho. Tenho que me divertir com alguma coisa e achei esse pedaço de papel e uma caneta. Quem sabe isso não vai parar em alguma revista famosa? É, seria muito legal! Eu faria questão de colocar o meu nome em letras bem grandes no final do texto, só para ela saber o quanto eu a amo e a quero bem...

Maldito momento que meu pai falou para eu casar. Disse que eu já estava ficando velho e mulherengo demais, que nenhuma mulher ia me querer, que eu iria acabar ficando para titio. E o drama continuou por meses e meses até que eu conheci a Ana.

Ela era uma menina linda, no auge dos seus trinta anos. Cabelos maravilhosamente escovados e sedosos, belos olhos claros, dentes brilhantes e uma carinha de anjo.

Para que eu fui confiar na minha intuição...

A gente se casou depois de quatro meses de namoro. Foi tudo muito rápido, eu admito, mas não deu para evitar. A mulher estava fazendo jogo duro, disse que sexo era só depois do casamento e ela queria casar logo. Eu, um pobre garoto (de trinta e seis anos), completamente apaixonado, resolvi entrar no jogo dela. E esse foi o meu maior erro.

Logo na nossa tão esperada noite de núpcias, ela teve a capacidade de virar para o lado e dormir, bem na hora que nós entramos no quarto. Isso é coisa que se faça com um homem no cio? Ela me deixou na vontade e eu tive que me contentar sozinho. Foi triste ver ela dormindo no nosso leito de amor enquanto eu esperava ansioso que ela acordasse e pudéssemos, enfim, consumar nosso casamento.

Mas o primeiro susto foi quando ela finalmente despertou de seu sono profundo. Era melhor que tivesse permanecido dormindo. Meu deus, aquela foi a cena mais deprimente de toda a minha história com as mulheres. Quando ela virou para o meu lado, eu descobri porque ela queria casar tão desesperadamente.

Lembra-se de que eu disse que ela tinha cabelos maravilhosos? Esquece, era tudo obra de um belo cabeleireiro. O cabelo dela se parecia com as cerdas de uma vassoura piaçava. Os olhos eram lentes de contato, ela tinha um dente meio podre e aquela carinha de anjo era pura enganação. As primeiras palavras que ela me disse foram: “Cadê meu café?”.

E aí começou meu suplício. A mulher foi, e ainda é, insuportável. Ela consegue me atormentar pela manhã, pela tarde e principalmente à noite. Nunca pensei que iria ouvir tantas desculpa esfarrapadas diferentes para uma mulher não fazer sexo com o marido. Ouvi de tudo, desde o tradicional “ai amor, eu tô com dor de cabeça” até “o padre me proibiu de fazer qualquer coisa com você essa noite, eu vou entrar em quarentena pelas almas carente do Tibet”.

E que raios o Tibet tinha a ver com a historia? Eu moro é no Brasil, país tropical, as pessoas são mais afetivas, mais calientes. É tudo uma questão de gosto. Tem mulheres para todos os estilos de homens. Tem altas e baixas, brancas, morenas e mulatas, loiras, morenas e ruivas, magrinhas, gordinhas e gordonas, tímidas, fogosas e dançarinas de funk, católicas, protestantes e adeptas do pecado. Tem para todo mundo e todos ficam satisfeitos.

Menos eu, que casei com a mulher errada. Eu consigo contar nos dedos das mãos quantas vezes nós fomos para a cama nesses seis meses de casamento. Ou melhor, eu posso contar nos dedos da minha mão esquerda. E eu acabo ficando louco, louco de desejo acumulado. Isso não se faz com ninguém, mesmo que a pessoa tenha pregado chiclete na cruz e depois jogado uma pedrinha.

E eu acabo tendo que me satisfazer em outros lugares, como o banheiro, por exemplo, já que nenhuma outra mulher quer saber de mim. Eu não sei o que acontece, mas acho que é por causa da aliança que resolver grudar no meu dedo. Pois é, tinha esquecido de comentar esse pequeno incidente. A aliança que nós compramos para o casamento ficou pequena demais para o meu dedo (claro que tinha que ficar, foi ela que comprou. Aposto que fez de propósito). Ela cismou que tinha que colocá-la de qualquer jeito, e acabou colocando. Só que agora ela não quer sair mais.

Esse anelzinho dourado vagabundo é um repelente de mulher. Parece que elas se afastam apenas com o brilho que ele emana. É incrível! Por mais que eu tente, eu não consegui arrumar nenhuma mulher nesses últimos meses. Estou começando a achar que o problema é comigo, que eu estou perdendo aquele jeito malandro que só o brasileiro tem para pegar mulher. Tudo bem que eu não sou mais um jovem de vinte anos (e como eu era bonitão, ainda sou, mas eu já fui melhor), mas ainda tenho fôlego para várias de uma só vez.

O pior de tudo é ter que conviver com o meu emprego. Sou enfermeiro. E você não sabe o quanto me deixa louco uma mulher vestida com aquele jaleco de médico, com aquela cruz colorida no chapéu. Mas ela tem que estar vestida só com o jaleco, mais nada por baixo. Nossa! Você não sabe como eu estou enquanto escrevo isso.

Olho para a minha esposa deitada na cama e fico esperando, na iminência de que ela acorde e venha satisfazer essa minha fantasia. Mas é melhor eu acordar. O dia que ela fizer isso, eu posso pular no meio de uma avenida movimentada. Tudo não passa de um sonho. Aliás, com ela tudo não passou de um sonho. A única coisa que eu posso fazer é sentar aqui na sala e imaginar. Imaginar aquelas coxas maravilhosas em contato com a minha pela. Aqueles dois corpos convertidos em um só por um momento de puro prazer.

É mais fácil isso ocorrer com a faxineira do hospital do que com a minha esposa. Pensando bem, até que a faxineira não é de se jogar fora. Desprezando aquela cara de cachorro pequinês, aquele jeito de andar que parece um pato e aquela barriga meio saliente, eu acho que eu até toparia ir para o armário de vassouras com ela. Seria melhor do que tudo que já rolou na minha cama até hoje.

Não, pára com isso! A faxineira não, mas quem sabe com aquela paciente do 307? Ela é muito bonita e acho que dá bola para mim. Será que eu entro no quarto dela despistadamente para medir a pressão e fico lá para aproveitar um pouco da situação? Deixa eu pensar... qual o problema de saúde que ela tem? Nossa, nem isso me ajuda. Ela tem uma cirurgia marcada para amanhã, para mexer no coração. Será que nem para isso eu dou sorte? Nem para pegar uma inválida na cama eu sirvo? Se ela morrer a culpa vai cair em cima de mim. Vão me descobrir e eu estou perdido.

Pensando melhor, ela tem uma filha que tem cara de safadinha. Qual era mesmo o nome dela?

Sabrina. Isso! Era Sabrina o nome da infeliz! Ela sim daria um bom aperitivo antes da mãe. É novinha, deve estar aprendendo agora. É ela mesma! Amanhã eu vou falar com ela. Que a dona Flávia me espere para a consulta, mas eu vou ter que atrasar. Tenho coisas mais importantes para fazer.

Por falar nisso, já são quase dez horas da noite e a Ana até agora não mexeu no seu lado da cama. Será que ela morreu? Não, seria bom demais se isso acontecesse. Eu ia ficar viúvo e metade, ou melhor, todos os meus problemas iriam acabar. Minha vida ia melhorar, eu ia poder pegar a Sabrina sem peso na consciência.

Ia ser mais fácil. Só teria o trabalho de colocar a defunta no caixão e partiria para a gandaia. Eu ia voltar aos meus tempos áureos, onde eu ficava com seis na mesma noite e ainda levava duas para a cama. Eu era quase um animal. Acho que ainda sou, só está faltando um pouquinho de treino, mas isso se resolve facilmente. Preciso apenas de uma companhia.

Nossa, fiquei escrevendo por tanto tempo que acabei ficando com fome. Vou levar este papel para a cozinha. Depois essa louca acorda e vê o que eu escrevi. Se bem que ia ser uma coisa boa. Ela pediria o divórcio e me deixaria em paz. Pensando melhor, a cachorra é tão sacana que acabaria me deixando casado com ela só para ter o gostinho de me fazer sofrer.

Bem que ela podia levantar e fazer alguma coisa para eu comer. Para isso ela serve, e muito bem. Aquele ravióli maravilhoso, que só ela sabe fazer, me deixa com água na boca. E aquela lasanha então, meu Deus, é quase um banquete dos céus.

Será que ela deixou alguma coisa na geladeira?

Hum, torta de frango com bacon! Que delícia! Como ela cozinha bem. É uma mulher abençoada mesmo. Para ter mãos de fada para a cozinha só pode ser abençoada. É por isso que eu amo essa mulher. E ainda perguntam porque eu ainda estou casado depois de tanto tempo aturando aquela figura.

Eu nunca consigo responder, mas sempre me vem á cabeça um momento de surpresa. Ele ainda não veio, mas a esperança é a última que morre. Quem sabe um dia ela faça algo que me agrade. É só esperar e conferir o resultado, mas espero que eu não me arrependa depois.

Agora eu vou voltar para o quarto porque já estou alimentado (em partes) e é melhor dormir um pouco...

Mas, espere um pouco. Será que o que eu vejo é verdade? Minha mulher saiu da cama e... meu Deus!  

Desculpa caderno, mas me dê licença pois eu acho que vi uma bela enfermeira só de jaleco e calcinha vermelha, pronta para ser consumida pelo desejo armazenado.

5 comentários:

Brunín®... disse...

Esse é um texto da minha série de textos erótico-pervertidos...
Adoro esses textos...
e esse ficou muito grande, mas tá legal...

vlw por quem teve a paciência de ler...
hauhauahauhau

Paula Fernnandes disse...

Tive a paciência de ler! =)

escreve bem você moço! além de ser químico também...

beijos!

Adrianah Aguiar disse...

linkei seu blog espero q n se importe, adoro seus textos.

bjuo!

Camila disse...

Vc adora os textos eróticos-pervertidos neh!!!!

uahauhauah

Sabia q eram seus preferidos!!!uahauahu

ficou bem legal!!!

amooo seus textos Brunín!!!

PARABÉNS (di novo!!)


bjooo

saudade


Santaninha!!!

Vy disse...

tava aki relendo o "tributo aos últimos três anos"...
me bateu uma saudade...