BlogBlogs.Com.Br

27 setembro 2008

Reflexões estressadas de um frango

Eu simplesmente não consigo agüentar. Aquele galo velho anda me enchendo muito o saco. Será que ele não pode simplesmente sumir da minha vida? Pelo menos eu acho que o treinamento está terminando. Não agüento mais ter lições do estilo “Como cantar no tom e na hora correta”, “métodos de equilíbrio em poleiros” e “Como prevenir pintinhos”. Que tédio!


Mas as aulas estão até toleráveis perto do evento da semana: o retorno triunfal da gorda com celulite. Pensei que ela tinha sido comida, mas pelo jeito não foi. Acho que até o granjeiro ficou com nojo dela. Fato é que ela simplesmente apareceu do nada hoje de manhã e veio puxando assunto comigo. No mínimo ela ainda está achando que eu sou a fim dela... inferno! Eu devo ter pregado chicletinho na cruz para ter que agüentar uma galinha tão feia!


E olha que eu nem ligo muito para as aparências. Ela pode ser gorda, ser cheia de celulite, ter umas rugas em lugares que eu nem imaginei que pudessem existir rugas, mas, somando-se a isso tudo, ela é muito insuportável. E eu sou o único frango da granja em idade para tentar algo com as franguinhas. Então sobra para quem? Para quem?


Nem precisa responder... e, para completar o dia, a aula de hoje contou com a participação de quem? Também não precisa responder, eu cumpro essa função desagradável: a gorda! Era uma aula sobre a dança do acasalamento. Mas quem disse que eu quero fazer a dança do acasalamento com ela? Fui um fiasco. Depois não me venham reclamar que não sei fazer direito... olhem com quem foi minha iniciação...


É sério, eu simplesmente não estou agüentando. Quero mandar aquele galo caquético direto para o inferno. E de preferência levando a gorda junto. E não me venham dizer que é preconceito ou algo do gênero. Não é! É pós-conceito mesmo! Queria ver alguém se encantar por qualquer um dos dois. Ou melhor, queria ver alguém ter que fazer a dança do acasalamento na presença de um dos dois


Eu ia falar que só faltava chover, mas nem isso adianta mais. Já está chovendo. E o pior, tá chovendo granizo. Juro que na hora que começou um barulho no telhado, veio um pintinho gritando: “Está chovendo granito”. Na hora eu até ri, mas agora eu acredito nele. As pedras de gelo estão tão grandes e pesadas que parece granito mesmo.


Para aumentar o meu bom humor hoje, caiu uma pedra em cima do telhado e fez um furo em cima do meu poleiro. Agora tem uma goteira infernal caindo na minha cabeça, vou ter até que mudar de lugar. Espero que tenha um lugar bom para eu dormir.


Deixa eu ver onde tem um lugar vazio... tem um ninho só com uma galinha por ali. Vou me dar bem essa noite. Passar o tempo todo grudado com uma galinha vai ser ótimo! É só fazer ela dar uma chegadinha para lá...


Ah não! É perseguição, não tem condições. Por que o último lugar para dormir é ao lado da gorda??

 

13 setembro 2008

Primeiro Selo!


Opa... esse pobre frango se sente lisongeado de receber um selo de um parceiro recente... o antologia racional me mandou e estou colocando aqui com as devidos agradecimentos!

Pelo que eu vi, eu ia ter que indicar para quinze blogs... mas vô enviar só para os meus atuais parceiros:


Tá aí para vcs!

P.S.: Depois de um tempo vasculhando, eu descobri o que signfica o selo
Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, que de alguma forma demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Tá, valeu =D

08 setembro 2008

Reflexões em um pseudo-feriado

Odeio essas obrigações de frango garanhão reprodutor. O pior de tudo é ter que acordar cedo em pleno domingo. E ainda por cima acompanhar aquele galo velho caquético que tem a obrigação de me ensinar as artes e os ofícios de como ser um galo de sucesso...


Nossa, isso parece até nome de livro de auto-ajuda. Pensando bem, era melhor ele escrever um livro e me mandar ler. Ia ser melhor. Por mais que eu não goste de livros de auto-ajuda, pelo menos eu não ia ter que acordar domingo de madrugada...


E ainda mais porque hoje é dia de Fórmula 1. É sagrado! Quando a corrida é de manhã, eu até faço esforço para levantar cedo para assistir. Mas se a corrida é a tarde... ah, só me acorde na hora que ela for começar...


Isso se aquele velho maldito não vier me sacudir às 3 da manhã. Conhece aquela expressão “levantar com as galinhas”? Pra mim, ela só funciona quando eu as levo para o meu poleiro e passamos a noite juntos. Caso contrário, não funciona. Mas hoje me disseram que vai ser minha função cantar para acordá-las todos os dias de manhã... Puta que pariu! Será que elas não conhecem a maravilhosa tecnologia do despertador?


Tomara que aquele velhinho perceba que estou de muito mau humor e me libere cedo. Mas com esse falatório interminável, vou sair muito tarde. Inferno... o povo está acordando só agora e eu aqui, com essas olheiras enormes de quem não dormiu direito e um humor extremamente ácido.


Vou dar uma desculpa esfarrapada qualquer e escapulir um pouco desse caquético... tô vendo uma galinha nova no galinheiro e vou lá, afinal, alguém tem que ser o garanhão reprodutor desse lugar...


Fui descendo e comecei a observar que todo mundo estava de verde-amarelo, com bandeirinhas do Brasil penduradas por todos os lugares... estranho, só tem jogo às 10 da noite, por que esse povo está assim? Ou será que a partida é agora e eu não fiquei sabendo? Droga, e aquele moribundo tentando me prender o dia inteiro. Já vou perder a corrida, mas perder o jogo já é demais...


Encontrei uma galinha amiga minha e ela veio perguntando se eu estava indo para a parada... parada? Vai ter uma parada gay e eu nem fiquei sabendo?


“Parada de Sete de Setembro”, disse ela... parei e fiquei raciocinando por um tempão, pensando: mas Sete de Setembro não é feriado? “É, hoje é feriado”!


Inferno... odeio feriado no final de semana. E esse só o primeiro de muitos nesse semestre...

27 agosto 2008

Reflexões olímpicas de um frango

Dia oito de agosto de 2008, às oito horas e oito minutos... que coisa mais brega! Foi o simbolismo mais idiota que eu vi, mas foi suficiente para a granja parar nesse dia. E quando eu falo em parar, eu não estou brincando. O granjeiro esqueceu até de dar comida pra gente, pode acreditar? COMIDA! Como ele se esquece da comida? Tudo bem que a festa de abertura estava até bonita, mas esquecer da gente já é demais...

Enquanto meu estômago roncava, reparei em uma coisa... por um acaso era a mesma pessoa que fazia todos os papéis na cerimônia? Sei lá, eu não consegui distinguir muito bem um chinês do outro. Todos são iguais... olhos puxados, pele amarela pálida que nunca tomou sol e cabelos pretos escorridos. E depois ainda falam que os frangos é que são todos iguais...

Fiquei tonto só de imaginar aquele monte de chineses com medalhas penduradas no pescoço, todos acenando... quase que sai correndo. Sério mesmo! Parecia clonagem, sei lá. São todos idênticos. E pensar que nem uma franguinha oriental bonita tinha... passei minhas noites em claro por nada.

Posso não ter dormido à noite, mas em compensação durante o dia... O problema é que meu relógio biológico ainda não voltou ao normal. Sabe aquela expressão que diz: “levantar com os frangos”? Esquece! Eu ia dormir todo dia junto com o sol nascendo e só acordava na hora de comer. Comia e dormia de novo...

E só voltava para a realidade quando ia começar mais uma madrugada olímpica. Como a granja é chique, tinha SporTV1, SporTV2, SporTV3, SporTV Premium e SporTV Mega-ultra-hiper-max-excelente. Aí eu podia ver todos os jogos... todos mesmo. Sabe aqueles esportes mais estranhos tipo “tiro deitado com carabina invertida acionada por uma cusparada a distância”? Pois é, esses eram os mais interessantes. Eu não sabia as regras e o narrador muito menos. Ficávamos eu, a televisão e o narrador... calados! Nem vi quando era decisão de medalhas. Já estava acontecendo o pódio quando eu reparei.

Mas valeu a pena trocar meus horários. Eu posso dizer que eu vi um tal de Michael Phelps competindo. Eu tenho medo dele. Parece mais um tubarão que uma pessoa. Como diria o grandioso Galvão Bueno (e eu repito, caso você não tenha entendido a ironia... grandioso Galvão Bueno): “Eu vi a história com H se escrevendo na minha frente”. Ainda bem! Se ele visse a história escrita com I ia ser estranho.

Outro esporte interessante que eu vi foi o tênis. Tá bom, tênis não é nem um pouco emocionante, mas o Rafael Nadal é simplesmente O cara. E as mulheres da ginástica artística? Que coisa impressionante. Mas o que eu mais gostei foi o futebol feminino. Não porque o Brasil levou um créu dos Estados Unidos na final, mas porque elas enfrentaram as norueguesas... ah, queria um time daqueles trabalhando aqui no galinheiro.

Nem sei para que eu citei o Brasil nessa história. Ganhou três medalhas de ouro? Bom para ele. Aliás, três medalhas inesperadas. Uma do menino nadador que eu não lembro o nome, que só ganhou o ouro porque o Phelps não competia nessa prova. Uma da Maurren Maggi no salto em distância (brilhante conquista individual, sem apoio nenhum do Brasil) e a outra foi com o amarelão time de vôlei feminino (finalmente!).

Ah, quer saber de uma coisa? Os últimos quinze dias foram bons. Não dormi direito, não fiz nada de útil, mas assisti às olimpíadas! Quer coisa melhor do que ficar a toa e ver televisão? Tudo bem que nosso país ficou atrás de Belarus no quadro de medalhas, mas como eu nem sei onde é Belarus, eu vou ficar quieto.

Agora eu tenho que voltar aos meus afazeres normais. Espero sinceramente que o granjeiro não tente me comer depois dessa quinzena a toa...

11 agosto 2008

Reflexões de uma véspera de Natal

Hoje é dia 24 de dezembro, véspera de Natal, está de noite, tudo escuro, todo mundo já está roncando e babando. Minha mãe me falou que era para deixar a janela aberta para o Papai Noel entrar no meu quarto e deixar o presente que eu pedi.
Já é quase meia noite e o Papai Noel até agora não apareceu... e por falar nele, eu acabo de lembrar que outro dia mesmo eu descobri que eu não me simpatizo muito bem com o Papai Noel. Na verdade, desde quando eu tinha quatro anos e que a tia da escolinha me mostrou pela primeira vez uma foto do Papai Noel é que eu não fui com a cara dele.
A primeira coisa que eu notei no velhote com a qual eu impliquei muito foi aquela pança! Seu nome devia ser Papai Pança, ou Noel Pança, ou até mesmo Papai Pança Noel. Quanta barriga! Que exagero! Acho que o Papai Noel devia tomar vergonha na cara e fazer no mínimo uma caminhada de vez em quando, igual a minha mãe, que há três anos faz sua caminhada matinal para tentar emagrecer. Se bem que não, fazer caminhada não é a melhor opção. Minha mãe até hoje não consegue acabar com a barriga que ela carinhosamente chama de “pneu de bicicleta”. O caso do Papai Noel é mais grave, uma caminhadazinha não iria resolver. Talvez uma redução de estômago, uma greve de fome... o que não pode é continuar assim!
E aquela barba gigante amarelecida?! Podia aparar, podar, cortar... sei lá! Aquilo é muito estranho, parece uma taturana enorme e peluda, deve até ter piolho! Quando molhada então... deve ficar com um cheiro horrível.
Outra coisa que eu lembro que me chamou a atenção foi a roupa, toda vermelha, cheia de fru-fru nas mangas e colarinho, igual a um pufe gordo e vermelho. Que breguice! E ainda por cima é um forno. Será que custa muito trocar de roupa pelo menos quando vem ao Brasil?! Colocar uma bermuda, camiseta, umas havaianas. Parece aqueles caras que gostam de sofrer, masoquista.
Além de ser um “pufe vermelho” ambulante, ainda é pobre. Fica andando de carroça de um lado para o outro, dando voltas pelo mundo. Será que ele já ouviu falar de avião? Carro? Só lá na roça que eu vejo o pessoal andando de carroça, e mesmo assim são só os pobrezinhos pindaíbas. Ele podia pelo menos trocar aquela carroça por outra melhor. Ah, claro, podia também trocar os cavalos (são cavalos? Que sejam!) por uns menos esquisitos, menos chifrudos e menos afeminados. Com tanta miséria, eu chego até a desconfiar da origem daqueles presentes... camelô?
Eu também fico pensando se o Papai Noel é tão bonzinho assim quanto dizem. Já reparei que ele escolhe as crianças que irá felicitar com seus presentes de origem duvidosa. Nunca fiquei sabendo de nenhum menino de morro ou da roça que já ganhou um presentinho sequer dele. O Pedrinho, um menino que mora lá na Favela do Cafezal, me contou uma vez que até cartinha já mandou para o Papai Noel... nem sombra de resposta ele recebeu.
Além de tudo, o velho apresenta alguns indícios de autismo. Nunca fiquei sabendo de nenhum amigo dele, colega, família. O que eu sei é que ele vive com os anões – que inclusive ouvi dizer que são cegos, surdos, mudos e mongolóides – e com os supostos cavalos chifrudo-afeminados. Sei não heim, ele e esses cavalos...
Enfim, em meio a tanta gordura, tanta pobreza, tanta breguice e tanta maldade, esse tal de Papai Noel podia aposentar, passar o cargo para uma pessoa menos problemática e tratar de entrar em uma clínica de recuperação.
Esse texto é de uma amiga minha, Juliana rocha. Como prometido, seu texto tá aqui Ju